quinta-feira, 4 de abril de 2013

Me sinto como se não pertencesse a lugar nenhum. Não é por mal, sei que tem gente que gosta e demonstra a todo tempo isso por mim, não é sobre essa coisa de amizade. É sobre a história de ter um melhor amigo pra ligar no meio da madrugada só pra dizer que finalmente terminei de ler o livro e não quero mais viver. É sobre ter não apenas um namorado, mas um confidente, que morda minha bochecha enquanto diz que se eu não tivesse tomado aquele bendito sorvete, eu não estaria doente. Sobre uma pessoa que antes de pensar em qualquer outra pra dizer que precisa de ajuda, pense em mim. Eu não sei mais o que é ser o primeiro plano de alguém. É que eu não tenho ninguém pra contar um segredo, quer dizer, até tenho. Mas já a vejo ligando pra outra melhor amiga dizendo “você não sabe o que aconteceu, mas não conta pra ninguém” porque é assim que anda acontecendo. E as pessoas insistem em dizer “ela não demonstra gostar de ninguém tanto assim” ou “ela não fala tudo o que pensa”. É difícil, viu. Eu não tenho onde segurar se doer. Não além de mim. Eu não tenho mais ninguém pra passar na minha casa e dizer “comprei esse doce porque me fez lembrar você”. Eu não tenho uma música que é uma história com a minha melhor amiga. Se eu saísse hoje da vida de alguém, eles teriam com quem dizer “sinto falta daquela louca”. Se alguém sair da minha vida hoje… Eu só consigo escrever. Esse vazio dá um incomodo sem tamanho na garganta. Saber que tenho a tanta gente e não tenho à ninguém. Saber que não há nada a fazer a não ser limpar as lágrimas e seguir. Saber que só posso segurar na minha fé e continuar com a esperança de um dia parar de me afogar na solidão.

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